O empresário brasileiro Joel Borges Correia, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 13 anos e seis meses de prisão por envolvimento nos atos de 8 de janeiro, enviou uma carta relatando sua situação em uma prisão na Argentina. Correia foi detido em novembro do ano passado durante uma blitz na província de San Luis, enquanto vivia em Buenos Aires como refugiado político.
Confira detalhes no vídeo:
Na mensagem, o catarinense descreve um cenário de dificuldades extremas e sofrimento psicológico. Ele revelou que chegou a considerar tirar a própria vida, mas se agarrou à esperança de reencontrar sua família. Para lidar com o sofrimento emocional, solicitou atendimento psiquiátrico e atualmente depende de medicamentos diários.
Correia relatou ainda que passou sete meses detido no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, onde teria recebido a visita do ministro Alexandre de Moraes, responsável pelos processos relacionados aos atos do 8 de janeiro. Segundo o empresário, Moraes afirmou que as imagens dos protestos estavam sendo analisadas e que aqueles que não tivessem cometido infrações seriam liberados. No entanto, ele lamenta que essa promessa não se concretizou.
Após sua passagem pela Papuda, Correia foi transferido para uma prisão comum, onde ficou oito dias encarcerado junto a criminosos condenados por delitos violentos. Posteriormente, foi submetido a uma viagem de 14 horas algemado e acorrentado até outra unidade prisional.
Na Argentina, sua situação não melhorou. O empresário passou 56 dias em uma cela pequena de uma delegacia da Polícia Federal, sem janelas e sem banheiro. Durante esse período, recebia apenas uma refeição diária e tinha permissão para tomar banho a cada cinco dias. Em seu relato, ele afirma que não há mais esperança de justiça e que sua situação é ignorada pelas autoridades. Atualmente, além de Correia, outros quatro brasileiros — três homens e uma mulher — permanecem presos na Argentina sem antecedentes criminais.
O caso levanta questionamentos sobre a atuação das autoridades brasileiras e argentinas. A prisão de refugiados políticos coloca em debate os direitos humanos e a liberdade de expressão, especialmente diante das promessas do presidente argentino Javier Milei de ser um defensor da liberdade. O silêncio do governo argentino sobre essas detenções tem gerado preocupações entre defensores dos direitos civis.
A repercussão do caso também provoca discussões no Brasil. Parlamentares da oposição criticam o que chamam de perseguição política e têm pressionado o governo para uma revisão das condenações relacionadas aos atos de 8 de janeiro. Além disso, cobram um posicionamento do governo argentino em relação aos brasileiros presos no país.
A carta de Correia evidencia a gravidade da situação enfrentada por ele e outros manifestantes detidos, reacendendo o debate sobre os limites das decisões judiciais e a necessidade de um olhar humanitário para os condenados. A comunidade internacional também pode ser chamada a se manifestar sobre o caso, à medida que aumenta a pressão por explicações e soluções para a situação desses brasileiros no exterior.
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